sexta-feira, maio 29, 2015

no news good news

se ao menos os louros
se ao menos as notícias boas
se ao menos você não se enganasse tanto
se ao menos não fosse tão pouco sincero
se ao menos compartilhasse mais
se ao menos despedisse
se ao menos se abrisse um pouco em consideração
se ao menos fosse menos deselegante no desfecho
se ao menos tivesse consideração

eu não pensaria toda esta desapontaria

propôs o que?
pra quem?
se comigo nem falava mais...

analisa o que
de quem

se quem te cuida é descartado com descuido

muito fácil sair por aí
se dizendo vencedor
ou até mesmo
se fazendo de quem tentou

quero ver rasgar o desejo real
quero ver permanecer até o fim do diálogo

mas pra quem nunca se importou
jamais importará

alegria
tristeza
tanto faz
o importante mesmo é estar só
e se enganar
o melhor mesmo é falar consigo mesmo e supor o outro
o melhor mesmo é ué,pra que o outro se tudo que eu penso do outro já é verdade pra mim?

feche-se

quinta-feira, maio 28, 2015

em resposta à pergunta que ela me fez

Não, não quero morrer.
Vou comer direitinho
vou cuidar de mim e da minha casa.
vou curtir os amigos e aproveitar a vida com o melhor que ela tem pra oferecer.

Não vou mais viver para os outros.
Não vou mais basear minha felicidade na presença de outra pessoa perto de mim.

é o início da minha auto-suficiência.

e eu queria muito acreditar nisto que acabei de escrever.
imagino que já seja o começo.

Felicidade à venda na Praça XV

Engraçada a nossa idéia de felicidade.
Quando a gente sente a gente se agarra a ela de um jeito que parece que a gente nunca mais vai soltar.
Aí a felicidade vai embora
Cede lugar a umas coisas estranhas
Uns desprezos
Uns olhares cruzados
Uns tais comodismos
E você fica ali colocando a mão no fundo da memória do peito
cavando a tal felicidade

Aquele instante que ficou marcado
Aquele dia em que você jurou que nada estava acontecendo
ou que você estava preparada para dizer para ele que não dava não,
que não tinha coragem de continuar com aquilo
e mostrar quem era de verdade na sua insegurança
e ele chegou com um molho de flores amarelas,
porque ele lembrou que vocês estavam há 2 meses juntos.

e aí vocês brincaram de tirar a primeira foto
ainda com cara de sapecas
escondidos atrás das flores amarelas

como se nunca mais fossem tirar fotos
como se tudo fosse ser só aquele instante
de muita felicidade
que só de lembrar dá

que só de lembrar
faz a gente não entender porque que de repente não é mais felicidade
e porque que de repente o outro não quer mais ser feliz contigo

ou na canoinha
com arco-iris de lado a lado no mar da Bahia
e a criança feliz
e a gente no balanço
e aquele
"meu amor" vindo do fundo da canoa tão sincero,
tão feliz...

Ou o bobó de camarão que a gente arriscou fazer juntos
quando ainda valia a pena correr riscos juntos
e conversar entre si
e conversar com os amigos
sem julgamento
só na confiança
na cumplicidade

ou quando a gente se agarrou a tarde
e outra tarde
e outra noite
na cama vizinha ao escritório,
no chão da cozinha
na piscina

ou quando você me ligou de tarde dizendo
" de repente me perguntei cadê ela e liguei pra saber de você, é que bateu uma saudade..."

e quando você me falou que estava pensando na música do Velho Chico, do ciúme
e eu nem sabia que isto passava por você de tanta idolatria que eu tinha

e quando a gente encheu a casa de gente
e agimos como um time,
enquanto você apagava as luzes e botava o Luiz Melodia pra tocar
e eu pegava os copos e as bebidas geladas

e as nossas piruetas e trocas de mensagens

e palavras cruzadas e risadas

e o congelamento e a escavação
e a escavação
e o tudo derreteu

instantes que não se resgatam
memórias que a gente quer apagar
com terra e cimento em cima

 e não se sabe o que fazer com isto em vida
como os sapatos dos mortos

onde foram parar

se esvaíram

e por que?
ou porque não se esvaíram até agora se ele já se foi?

e se nada foi
e se nada disto aconteceu

Ah, mas a felicidade,
ah, como foi feliz ali
e ali
e também ali,

agarra aquele momento,
segura,
não deixa escapar,

deixa doer agora,
chora

e segue
eles ainda existem sim
eles existem

ele vai ligar
ele vai dizer que pensa nisto também

mas não
naturezas diferentes
memórias seletivas opostas

e nada mais

e aí a vontade de quebrar o vidro

vontade de sangrar
vontade mesmo de morrer
e odiar

eram instantes congelados de felicidade
que justificavam a vida até então

e aí você está apenas atravessando uma rua em botafogo
e ele não está nem mais morando contigo

nem mais na mesma cidade
nem se sabe mais onde ele está

nem mais pensa em você
e se isto acontece,
se refere a você como passado de anos atrás
mas só passou 1 semana

e a tal felicidade virou gelo congelado no tempo

as fotografias podem até ser vendidas na praça XV

ou serem guardadas como memória da criança que vai crescer um dia

E ela o que será que sente?

saudade ou raiva?
desprezo ou alívio?
amor ou confusão?

e o arco-íris a gente viu mesmo?

a criança não fala nada
ninguém entende nada

foi tudo um sonho mesmo...

a gente era uma família
e de repente é nunca mais se ver...

a gente dividia as coisas
e de repente

"o que me torna vivo é ser livre"

livre?
livre de que?

esqueceu?
regrediu?

não é possível ser livre tendo muito afeto?

não é possível ser livre tendo lar,casa,família?

que idéia retrógrada é esta?

será que você ficou satisfeito com o que conquistou e se foi?

será que é vil assim?

será que dentro desta humanidade toda tem tanta falta de afeto,
tanto,tanto egoísmo,tanta tanta couraça...

tanto teatro,tanto nada,tanto não foi nada,
tanto eu não fui nada,
tanto você não sabe de nada,
tanto você não tem condições de me compreender
porque você é diferente de mim
na coisa mais mesquinha

tanto você não me conhece,
tanto você não sabe o que me aconteceu,

que...

eu fui o que exatamente?

como você subestima o ser humano,
que coisa impressionante.

e quer que eu acredite que era amor.

nesta eu não caio mais.

que pena

eu queria tentar amizade
confesso que tenho dificuldade

deste jeito que acabou, eu tenho sim, dificuldade.


tá repetindo música do Los Hermanos, vou seguir meu caminho... lalalala...

Nem singular consegue ser.

tem vergonha de tudo
mente
se engana

e faz pactos de sedução que sabotam seu próprio talento,
seu próprio possível êxito.
em vez de concentrar na verticalidade de uma relação com o absoluto

quem sou eu pra dizer estas coisas?
realmente não sou ninguém.

sou só alguém simples que tinha muito medo de você
mas que caiu na sua armadilha

devia ter ouvido meu instinto

"seu medo me assusta"
você me disse
pois
eu devia ter continuado com medo e te assustado para bem longe de mim

Assim não tinha vivido com este homem que não conheço
com este homem que fez questão de não me conhecer
que fez questão que eu não o conhecesse
que tem medo de qualquer pessoa que descubra quem ele é de verdade

porque tem vergonha de ser quem é.
porque tem o rabo preso
porque não sabe falar de quem ama de verdade
porque morre de medo de amar e ser amado
não admite as dores que passou
não quer falar
tocar
não quer escavação de afeto
quer deixar de lado mesmo

e trabalhar na obsessão
e brilhar
nestas de auto-controle

Não é mais o seu tamanho
É o seu medo que me assusta.
Tô assustadíssima com o medo que você tem.

E agora você não precisa mais mentir para mim.
Pode ser quem você quiser.

Eu desconfio já de alguém que não é a invencionice que o meu coração criou.

Pode ficar tranquilo.
Eu,
assim como alguns na sua trajetória,
já sei quem você é.

Neste embate de forças que é a vida,
você me fez outra pessoa.
Você transformou meu coração em pedra,
minha buceta em cristal imaculado,
meu peito em asfalto,
minha garganta em aço.

Minha boca curva para baixo
Meu olho é de índio
Respiro como quem bufa
E sorrio como quem grita.

Você nunca mereceu um passarinho que nasceu naquele ninho.

A beleza da vida não está mais em você.
A beleza da vida não está mais em você.
A beleza da vida não está mais em você.

terça-feira, maio 26, 2015

Ter coragem de amar os monstros

Não acredito em quem não queira amar
Não acredito em qualquer desculpa que seja desculpa para não amar

querer estar só é muito bom
sentir-se bem só é muito bom
ouvir-se
fazer o que quer
viajar sozinho
acordar a hora que quer
poder abrir a janela
deixar a luz entrar
entoar um canto
tudo isto é muito bom

mas na hora que o "camareiro hábil"
começa a querer que nada mude
mas na hora que isto começa a ser cerca
começa a ser não querer ninguém cerca
quando o outro não pode mais interferir
porque o outro é abstrato demais
porque relacionar-se dá trabalho demais
e porque trabalho exaure e acaba
e depois começa outro

que negócio é este de trabalhar com relacionamentos?
que jogo é este que acaba quando acaba?
que brincadeira sem graça é esta que afeta sem ser afetado?

uma coisa é vida
outra coisa é teatro
e no caso uma coisa é uma coisa
e outra coisa é outra coisa

e todos afetos em volta em vez de um afeto só?
e todas as subjetividades infinitas que um ser pode ter ou ser?

e se eu resolver viver como uma abelha por uma semana e
entrar nesta cosmovisão e ir

tudo bem
tudo
tudo bem

desde que na volta exista um cafuné

ah,o poder de um cafuné

como é bom receber e dar cafuné.

Eu sou dos sentidos
Ocidental
Carioca
Urbana

Eu busco comida boa
Sexo bom
Humor
boa companhia
dança e música

eu busco troca
diálogo

se toda troca termina em "vai se fuder " ou " não te suporto mais"
ou
se uma relação vira " só dormir "
ou
se o telefone toca toda vez que te toco
ou
se o telefone toca toda vez que a gente toca no ponto
ou
se a comida esfria toda vez que é preparada
ou
se existem dois lugares à mesa,mas sempre se come só
ou
se já não importa
ou
se nem nunca foi
ou
se pra que foi então?
ou
pra que fomos tão longe?
ou
tem finalidade?
ou
não era mesmo pra ser desde o início?

Fingir
Fingir
Fingir

Não ter coragem de assumir
e ser assim

mas agora que eu conheço seus segredos,
nem adianta treinar o jogo 24 horas por dia,
você troca de parceira de partida em partida
e chama isto de amor próprio

nada para dizer

sim,filha,eu sei meditar
fico só pensando na minha respiração
no ar entrando e saindo do meu corpo
entrando e saindo
e só.

Estamos vivas,filha.
Tá tudo bem
e cheio de amor sincero em volta de nós.

Tem gente,filha,que tem dificuldade em assumir a responsabilidade por machucar alguém.
É uma necessidade muito grande de se sentir um ser de bem.
Mas, às vezes, filha,seres de bem, tem requintes de crueldade que nem eles mesmos dominam,
é de uma energia complexa sustentada pela nossa própria mediocridade no mundo.

Desacredito também.
Mas insistirei na propagação de idéias corajosas
que incluam totalmente a idéia de amor.

E o amor tem monstros,medos,tristezas
e requer muita coragem.

sábado, maio 23, 2015

Serenidade na Tristeza

serenidade
relação com o divino
estou aqui
viva
estou em paz

já não tenho medos
nem sabia que estava tão cansada
mas renovada percebo
que existem ainda
alguns prazeres a serem vividos

sem a presença dos seus pés tocando os meus embaixo do edredon.

viver sem ceder aos sentidos
pode até ser por aí a transcendência
porque a lembrança do seu cheiro
do seu corpo
só me faz mais fraca

meu peito contra o seu
o peso de um sobre o outro
a leveza de um toque no chão
a espiritualidade deste encontro
nossos beijos
sua barba roçando na minha nuca
um cafuné
um pequeno empurrão

tudo começou tão bem até eu ceder
se isto não é amor
então o que é?

quanta tristeza,meu Deus.

e o apagar

Hoje tudo está fechado
as cortinas sem abrir
luz do sol só pela fresta
sem sentir
fechado para balanço
fechado para o sexo

abertura só interna
de brilho
de ação criativa
de potência

hoje tudo está em pé
falando
cantando

senão tá dirigindo
chorando
batendo
raspando
com o retrovisor fechado

sem olhar para trás
sem rasgar os papéis
sem quebrar os vidros,
porque quem limpa é quem quebra

poder destrutivo infantil pode até ser sinal de criatividade
aqui tempos todos do mundo já não parecem mas são
destruir para botar a criatividade em jogo

jogar
estar em suspensão
compreender e exercer o meu ofício
O que eu tenho
O que fica?
O meu ofício

Então aguenta a dor e vamos

Nosso lar desmoronou
o sabiá morreu no ninho
o violão virou responsabilidade
voltou pro papelão
e uma cruel desilusão foi o que ficou pra machucar meu coração

tá fazendo 2 anos e meio,amor,
que o nosso lar desmoronou
ficoooou

este seu jeito de você em mim
esta dureza com a vida

ficou em mim a ciência
ficou em mim esta aversão ao afeto amoroso
qualquer que seja

ficou em mim querer agora só amigos
ficou em mim
um coração fechado
ficou em mim
um aluguel estragado
um cachorro que a gente não adotou na praia

a segunda dor de uma filha

uma família que eu perdi
cadeiras na varanda do meu passado
que já não conversarão
e o meu inglês que eu não tô nem aí
perto de Jundiaí

ficou um terreno perto de uma represa
uma resignação

um peito para se botar
e esta eterna vontade de que um dia você pudesse me amar
do mesmo jeito que eu te amo

se você deixasse,
cuidaria de você como enfermeira chefe,
como mulher,
como pólen do seu amor,
como carneirinho,
como cavalinha,
como canjica,
como chapéu de sol,
como água quente,
como óleo,
como incenso,
como voz,
como cobertor,meia e casaco...
...e estes olhos de luzes
e
o meu apagar

quarta-feira, maio 20, 2015

Velhinhos brincando com as pelancas do outro

eu não quero ir pra lugar algum
lugar algum em que eu não encontre o meu velhinho
porque o amor que eu acredito é este
de quem um dia fica velhinho junto

porque um dia esta juventude toda vai acabar
porque um dia esta merda toda vai ficar pior

e o velhinho que estiver sozinho
vai estar muito mais fodido
que o velhinho
que estiver juntinho de outro velhinho
fazendo piada
jogando baralho
ou brincando com as pelancas do outro

merda de vida miserável da porra

terça-feira, maio 19, 2015

Triste fim desolador

A tragédia que se incide sobre os desencontros.
E o drama que a gente faz disto para sobreviver.
É tudo invenção, eu sei.
Mas se não fosse invenção, nada seria.
Seria deste jeito.
Chato.
Miserável.

Você quer viver de que?
de comida e deveres só?

Onde foram parar os raios de pôr do sol?
Onde foram parar os gemidos inesperados?
Onde foram parar as festas surpresas?
Onde foram parar os abraços, as danças, os rolamentos no chão?

É tudo supérfluo até mesmo poesia?
os jogos de futebol
o algodão do japão
e o sushi?

Meu Deus,que horror!
E nós nem estamos em guerra?!
E nós nem passamos fome
E nem vivemos torturas e exílios...

Não como antes
não por debaixo dos panos

Meu Deus,e mesmo que estivéssemos
é sucumbindo assim que se luta?

você nunca mais vai me ver,amor.
e eu,que não aprendi a ser poeta é que vou sair perdendo.

segunda-feira, maio 18, 2015

ensinar que o melhor é não saber

Vou tentar escrever livremente, deixar fluir livremente o pensamento em que me encontro neste exato momento de fluidez constante, nets trabalho constante, onde tudo é trabalho , até mesmo respirar, viver.um trovão l´å fora que pode ser só uma cadeira arrastada, o teto daqui não parece que vai cair, mas, na brasilidade da peça o teto de Alice caía aos trôpegos, somos assim, aos trôpegos, aos tropeços, eu me separei de alguém pela 54a vez na minha vida, da primeira vez fui jogar capoeira como se aquilo não me afetasse e 21 anos depois ainda me dói. Mentira. Mentira o não afeto. Mentira viver sem afeto. Mentira viver para trabalhar. a gente quer afeto. Afeto de verdade. e a gente tem raiva, muita raiva de verdade, de quem não nos dá afeto quando a gente precisa de afeto, e neste caso somos todos crianças e porque cargas d'´ågua vem adultos metidos fingirem que afeto pouco importa, meu Deus do Céu, do cu do mundo, desça em mim a luz de Lúcifer que me trará a racionalidade necessária para ser um ser inteligente,capaz de trabalhar no mínimo 8 horas por dia sem pensar em querer um abraço. Eu quero aprender a viver só e não ter medo de arma. Vou ser polícia. Vou ser médica. Vou ser mergulhadora. Vou ser professora. vou estudar para ser professora. Vou ser professora. para fazer algum bem a humanidade. eu preferia compor músicas, escrever roteiros que chegassem a milhões e milhões de seres humanos. Falar como se fosse profeta, receber o dom da palavra e seguir por aí espalhando a boa nova, mas sem caretice, sem blefe, sem nem mesmo saber quem eu sou , me desprender do me corpo, desta prisão que segura o meu espírito e encarna todas as memórias que pouco importam para o mundo a não ser as compartilhadas, a não ser as compartilhadas? eu mergulho com você num lago azul profundo, vamos de mãos dadas até não termos mais fôlego, meus peitos crescem naturalmente, se enchem de leite e eu me doo, minha filha já não precisa mais de mim e nem eu de você. eu me vou embora daqui,porque não tem sentido mesmo este  viver. Eu queria ser otimista e brincalhona,mas não sou. sou assim.e agora tenho paciência em ser assim.vou me cavando e encontro pérolas que não pesquei.vou me cavando e encontro amores que não aceitei. vou me cavando e encontro tesouros perdidos de músicas que cantei com vento na cara. vou me cavando e encontro simplicidade plena e tenho vontade de ali ficar de me desdobrar nesta cava daqui para sempre até a cova. quero ser um ser simples, que canta com o vento na cara. que não sente frio. que tem coragem de dizer não te quero,porque não tem pressa,porque não sabe o que está por vir. Odeio esta falsa sabedoria dos 40, estes "já vivi, já sei como é" odeio isto. Gosto de me surpreender com as coisas. gosto de não saber. não nasci para saber. não posso ser professora, vou ensinar que não sei, que o melhor é não saber. que o melhor é não saber jamais. que o melhor é se deixar surpreender, saber a vez de entrar, não perder tampouco seu momento de protagonizar. então agora eu canto.
---Levanta a cabeça. Se olha. E se eu morrer amanhã?De susto,de bala ou  
vício. De bala,de bala, de bala...um medo tão grande da loucura  
humana,uma falta de discernimento total entre o que é dedução e o que  
é imaginação.Porque me imagino morrendo todos os dias.Tenho medo todos  
os dias.Hoje,isto é hoje.No passado eu não tinha medo de nada,só de  
dor de amor mesmo.E foi pela dor de amor que eu passei a ter medo de  
tudo.não.Foi trauma.É pânico.Martelam lá fora,martelam de  
madrugada.eles têm autorização da prefeitura. A cidade está em obras.  
A cidade está na moda.Eu não.Só com a minha filha.Ela me vê e me  
beija.Ela aprendeu a beijar.Ela diz “eu tô com medo”,porque ela  
aprendeu numa historinha que a aranha era solitária,porque todos  
tinham medo dela,mas no final da história a aranha convida todos para  
uma festa na teia dela e ninguém mais fica com medo dela.Eu  
busco,"escaravalho",rascunho meus medos,desafio meus medos e quase  
morro de susto todos os dias...Vício?Só o álcool,mas já passou.Bala,se  
vier na minha direção,espero não ficar apática vendo a morte chegar.Se  
chegar,que eu vá com óbolos para pagar ao caronte,para fazer a  
travessia...que a minha alma viva mais um pouco...
Voltando.Começar voltando.Eu,o meu quarto branco.Uma cama,uma  
escrivaninha.Nem computador eu tinha. Pouca gente tinha.Eu, a minha  
cama, a escrivaninha,a cadeira,o armário. Eu e as coisas que eu tinha  
para fazer. E a minha família e os meus amigos. Leveza. Eu, a terra  
batida sob meus pés, a parte de baixo do biquíni,só. Uma bicicleta.  
Vento. Sal na pele. Calor. Liberdade.Amor e liberdade.Só.Não voltar de  
hoje até o dia do meu nascimento,ou do meu concebimento,mas ir até lá  
e de lá chegar até aqui,para reconhecer,para me conhecer,para resgatar  
algo que foi perdido pelo caminho.Nasci.
Eu,a minha mão no tapete da sala,pegando no sofá para ficar em  
pé,abandonada na praia embaixo de uma toalha.Pele branca,cabelos  
brancos. Eu nasci de cabelos brancos,quase albina,crescendo num sol de  
sal,num sol esturricante,branca de sal na pele,caminhava por salinas  
de água quente e fedor,meu pé afundava.nadava numa lagoa escura e o  
fundo dava medo...tinha medo de tubarão,mas na lagoa só tinha mesmo  
tainha.Tainha é considerado um peixe barato,um peixe fácil,a barata do  
mar...eu comia barata,eu cresci comendo barata...a barata do  
mar...quando a gente ia passear,passava por dentro de uma favela,via  
senhoras lavando roupa,nenéns pelados brincando no esgoto,para chegar  
à propriedade do Roberto Marinho,onde tinha uma praia bonita.Lá a  
gente podia esquiar pelado e brincar de lagoa azul...eu me imaginava a  
Brooke Shields beijando aquele menino embaixo d’água...lá tinham  
conchas ainda grudadas no seu respectivo par,conchas rosas  
bebê,grandes conchas rosa bebê,ainda grudadas no seu respectivo  
par.Tudo parecia germinar dali,o magma terrestre parecia vir dali,toda  
a concepção do mundo parecia vir dali,o mundo parecia ser só  
aquilo...o sal,o vento,a água no corpo,a areia,as conchas,uma mata  
abundante e uns cabritos soltos...uns bodes...o peito ainda sem a  
parte de cima do biquíni,o pé grosso de quem anda muito descalço...e  
as gaivotas que vinham dormir a noite sob às árvores da ilha e  
transformavam o verde da copa num imenso tapete  
branco,suspenso,suspenso...não imaginava ladrão,não imaginava nem a  
morte,mesmo convivendo com cadáveres de peixes à beira d’água...aquilo  
parecia tão natural,que não era questionado...ocupar-se de ações,como  
passar os dedos sobre alguma superfície lisa ou saltitar com as mãos  
num muro áspero,pedalar para atingir pequenos objetivos,subir e descer  
o morro.subir a ladeira carregando a bicicleta,para descer no  
embalo,ter medo de cair e cair,ter medo de cair e não cair,viciar.
Parece que eu pulei umas partes...
Pensei em beijo. Na paixão pelo primo. No sangue do primo, na ajuda,  
em ficar sozinha com ele, no topo do morro, pegar o tecido que  
envolvia a espuma do guidon da bicicleta para estancar o sangue dele.  
A vontade de beijá-lo, a bulinação na bicicleta...E depois quando a  
gente se reencontrou embaixo do piano e transou.
E hoje?Importa o hoje?Hoje tudo é difícil.Acordar,planejar-se,vestir a  
roupa,o sapato,arrumar a casa,a cabeça,comer bem,manter o  

otimismo,precisar,pular da cama diariamente,trabalhar,trabalhar...

quinta-feira, fevereiro 26, 2015

singularidade comum

Por que me sinto tão estranha neste mundo?
Neste mundo estranho onde estranheza é comum.
Por que me sinto tão comum neste mundo estranho?
Estranho me sentir tão comum neste mundo.
A estranheza da singularidade parece ser o desejo comum da maturidade.
Parece residir aí a serenidade.
Estranho ser tão comum.

quarta-feira, fevereiro 25, 2015

paixão

Fico catando em todo canto
algum sinal de vida teu
que me faça esquentar
o coração de lama meu

como uma antena muito louca
rodo rodo a captar
em todos os sites,emails,mensagens
em que porra de lugar seu pensamento está?

porque eu só penso no seu rosto
no seu olhar
porque eu só penso no seu pensar
e torço pra que esteja em mim

Ser

Contar uma história
Contar uma história a partir de um enfoque singular
Ser
Ser
Se tornar um ser
Tornar-se alguém
Tornar-se alguém único e memorável
Memorizar
Narrar
Recortar
Aqui estou entre tantos
Não basta ser mãe
Tem que ser

terça-feira, setembro 25, 2012

medo


Eu fiquei foi com um medo da porra.De ser ruim.De não ser.De mim.

Diabo de amor de primo

e amor de primo acontece de novo
que espécie de cumplicidade é esta
que se tem com algumas pessoas?

o que é isto?

O que acabou de acontecer aqui?

já foi

foi só para relaxar

para se dizer "amor"

e ir andar de bicicleta juntos

e só

quinta-feira, setembro 13, 2012

em breve o swell entra

Engolir uma paixão
Transformar o desejo
Saciar a fome
Comer uma bala

Domar o cavalo
Castrar a maturidade
Transformar o desejo
em dificuldade

cada vez maior

adubar a terra para colher minhocas
sacrificar um corpo quinhentas vezes

por uma espiritualidade artística

morrer 5 vezes ao dia,pelo menos

ser feliz agora

dormir
dormir
dormir

é preciso repetir
senão fica difícil
dormir
dormir
dormir
dormir

para não pensar
para não sentir
para talvez sonhar

aí está o obstáculo
os sonhos que hão de vir no sono da morte

enfurecida
dominada pelas cadelas aquáticas
em breve o swell entra
e nós surfamos
para depois descansarmos
da tempestade que o precedeu
e do sabor inigualável
que a plenitude física tem.

sábado, abril 21, 2012

pouso numa casa estranha

improvisar para deixar a linguagem falar
What language do you work?
-o italiano perguntou
ao que ele respondeu
sculpture

viver rodeado de artista dá nisto

falam línguas cada um a seu modo

expressam linguagens

esta coisa oculta,
que se tiver um bom canal, passa que é uma beleza...

a physis
physis
physis

"lá no túnel do amor"de celly campello
ou no gosto por se fechar num quarto de hotel
com um ou dois amigos
beber vodka com suco de laranjas até às 5,
falando e procurando saber

ele gosta muito de falar,
começou a falar e ninguém entendeu,
cassandrou...

entre lencóis e frigo bares
malas e cuecas
cama balhotas
em carpetes
pulos nas molas
do colchão

e lap tops animados

my heart used to belong to dad
now it belongs to the world!

mãmãe?
podia botar um pedaço de pau aqui,completando este instante,né?

voltei,
vou pro meu quarto,
daqui a gente só podia ir para outra coisa mesmo.



quarta-feira, abril 11, 2012

caco na garganta

Quantas vezes vou morrer das formas mais inimagináveis?Quanto de vida tenho em mim? Quanta fé hei de habitar e ter? Quanto de tudo isto tenho que acreditar ou desacreditar? Sabe o velho ditado,boca fechada não entra mosca...? pois é, eu ria,no caso, e o copo quebrou e o caco veio parar no fundo da minha garganta...não engoli.tá aqui ainda,entalado,porque eu não sei dizer porque.e o imcompreensível é vital para cacete.

segunda-feira, abril 09, 2012

Estudos sobre “A Origem da Obra de Arte” de Martin Heidegger


Heidegger morreu no ano em que eu nasci,1976. A partir de certo momento da vida, ele falou sobre a arte. Escreveu “A Origem da Obra de Arte”. Ele foi um dos mais importantes filósofos do sec XX e se aprofundou na questão do ser em seu livro “Ser e Tempo” (1927). Heidegger fala de uma questão urgente, de vida ou morte, uma questão do destino do ocidente. O ser para o ocidente é. Ele quer resgatar a questão do ser, quer perguntar “O que é”. Ele diz que todo o racionalismo ocidental está “pairando” sobre o mesmo “solo”. O ser não é uma narrativa, é uma definição. O ocidente se pergunta “Qual o ser da justiça?; Qual o ser da amizade?…” pensa a verdade como um modo de ser do ser. Mas Heidegger não se satisfaz, ele quer pensar o modo de ser do ser.

É idéia ocidental tentar definir as coisas, categorizar, ter a pretensão de falar sobre as coisas. Para Deleuze filosofar é criar conceitos. A questão “O que é” não foi feita no oriente. O ocidente se pergunta “O que é outro?” projetando definições próprias (nossas). O oriental não pergunta, ele medita, age de outra forma. O hábito de definir, criar conceitos, categorizar… é uma maneira nossa de se relacionar com as coisas. Heidegger diz que não somos capazes de pensar o ser.

A “FILO / SOFIA” é “ amor à sabedoria”, é o estudo do pensamento. A questão do ser se faz com o pensamento. Descartes afirma “Penso, Logo Existo”. É uma experiência humana. A consciência é algo, um conceito; amor,mesa,sapato,ódio,cadeira são entes. No Ocidente então ser é ente que acaba por ser Deus (e o que faz com que ele seja Deus: a matéria e o ser material de que é feito a matéria ).

Na história do pensamento ocidental Platão pensa a idéia (forma /eidus) do bem. De onde vêm as coisas boas? Afirma que as coisas do mundo sensível trazem nela uma forma; a “mesidade da mesa”. Diz que as coisas tendem à sua realidade perfeita, a um arquétipo, a um paradigma. A filosofia pensa o Bem, o Belo, a Mesa, a Cadeira. Como seria pensar a mesa em seu modo de ser, enquanto “tao”, por exemplo. O conceito de tao parte da filosofia oriental e é algo que só pode ser apreendido por intuição. É algo muito simples, mas não pode ser explicado. É o que existe e o que inexiste. Só que nós temos demasiados conceitos dentro da cabeça para o entender como um todo uno. O tao é o caminho da espontaneidade natural. É o que produz todas as coisas que existem.

No Livro Ser e Tempo, Heidegger inaugura um tipo de filosofia, quando ele tenta pensar a questão do Ser. Ele pergunta “O que é”? Diz que o ser nunca foi pensado, que foi entificado. Quando a filosofia se propõe a pensar o ser, já começa a esquecer. Ela começa a pensar o ser como se fosse algo, como se fosse um “ente”. O ocidente esquece. Mesmo que se levante a questão do ser, não sabemos, porque somos esquecidos. Da tradição da filosofia de Platão ao sec XX, Heidegger chama de Metafísica. Esta não foi capaz de pensar a questão do ser, porque esqueceu qual era a questão. O que existe é uma ordem objetivadora de tudo o que é esquecimento. Ser é diferente de ente, ele afirma. Ocorre um estilhaçamento da experiência. O ser não é algo que se possa conhecer, pois não é um ente, não é algo. Pensar o “Ser” é uma experiência de pensamento. Pensar é diferente de conhecer.

Platão pensou o ser como idéia, Aristóteles como categoria, Marx como luta de classes….O que a filosofia sempre fez foi pensar a diferença entre ser e ente. O que o Heidegger chama de questão ontológica é a porta de entrada para esta questão. Nietzche pensou o ser como vontade de potência.

Nietzche em “Gaia Ciência” afirma em fragmentos que “Deus está morto”. Ele mata a verdade. O louco em plena luz do meio dia com lanterna acesa vai ao mercado ( onde os sociológos, etc… estão comprando… ) ele diz “estou procurando Deus” aos berros… “Vocês não percebem que Deus está morto?”(…) “Nós o matamos(…) Cheguei cedo demais (…) Eles não estão entendendo o que eu estou falando”. Deus era elemento explicativo das coisas. Deus era a verdade. Antes disto era a questão do ser na Grécia. Deus pegou de empréstimo teorias gregas. Nietsche mata o Deus católico e também a idéia de conhecimento e verdade. Fala para os homens que não acreditavam em Deus, mas na ciência (…) como quem diz que fabricar e explodir bombas não é o caminho para o sublime… O que é a bomba atômica? Uma fissão nuclear,uma fissão.

Heidegger também critica esta totalidade, esta planificação generalizada dos Entes,de Deus,da matéria… Ele escreve em seus textos sobre natureza “Não temos mais sujeito, nem objeto, temos fundo de reserva”. ( Não sei se entendo o que ele quis dizer com isto...)

Heidegger foi assistente de Husserl – Fenomenólogo. A Fenomenologia analisa fenômenos naturais. Segue filosofia científica de Galileu, que desenvolveu estudos como o MRU / Movimento retilíneo uniforme e a queda livre dos corpos, experimentou a Bola de Papel e o Chumbo caindo juntos, seguia a idéia do “Mente Concebo” – concebo na minha mente que é assim. O cientista moderno vai do intelecto à natureza. “Pela mente concebo,pela experiência,demonstro e faço”. A Fenomenologia ( Husserl ) estuda o aparecer das coisas… como o aparecer o Belo se caracteriza como Belo,por exemplo. É um conceito simples, banal, mas dentro do simples tem certa complexidade, como se estivesse de volta às coisas mesmas, às coisas em suas aparições; diferente da ciência que trabalha com coisas abstratas.

Um grande filósofo pode responder as questões do seu tempo. A questão para Heidegger era o ser em seu modo de ser, era a autenticidade e a inautenticidade da existência. O nosso movimento diário é “aderir ao ente”; eu boto a calça jeans, abro a garrafa, porque já entendi o modo de ser destas coisas. Nós não somos nós mesmos quando nós só nos relacionamos com entes. Há sempre um modo de ser seu na relação com as coisas. Mas a gente se esquece. A autenticidade para Heidegger é quando você desiste de aderir ao ente e pensa o modo de ser. Só lidando com a ente fragmentação psíquica/cultural…as coisas vão sendo subdivididas, Heidegger propõe uma pulverização das coisas. Será que é possível criar um novo modo de ser? É aí que a arte vai aparecer,lá pelos anos 30, quando ele começa a pensar a artee. Por que ele está falando de arte? Ele não quer fazer comentários sobre a arte, não é crítica, nem pensamento sobre a estética. Ele tá trazendo para arte uma questão filosófica. Na questão do ser está o nosso destino. É uma questão de vida ou morte.

Heidegger redefine o ser humano para tentar entender a questão do ser. Ele propõe uma nova maneira de pensar um nós. Quem somos “nós” ?. Nós somos ser aí / être-lá / there-being / da-seing. Os Medievais se entitulavam “criaturas de Deus”. Os gregos “ser da polis”. Nós somos ser-aí. O -aí do ser-aí é do âmbito da aparição das coisas. Nós somos isto. Nós habitamos o aí e por isto qualquer coisa aparece no seu modo de ser, as coisas aparecem. Aparece. Quando o homem aparece em sua humanidade. Quando o espaço sideral aparece enquanto espaço sideral. Na Terminologia ontológica modo de ser é da ordem do ser, não é ente, no âmbito da aparição. Só quem habita o âmbito de aparição das coisas,”ali” onde as coisas aparecem, só quem habita o aí, pode perguntar “o que é” .

Nós somos uma possibilidade de ser, estamos projetados para esta possibilidade que apontam para novas possibilidades. Até a impossibilidade de seguir sendo possibilidades. Estamos sempre atualizando possibilidades sempre projetando…Somos tempo. Não temos 1 essência.Temos temporalidade. A vaca é. Nós somos atualizações de possibilidades. Somos lançados, somos esta futuridade. Retomamos o passado e pensamos o futuro…Somos “ser para a morte”. O homem precisa assumir o caráter finito temporal de seu tempo. Tudo aparece, qualquer coisa aparece, dura e passa.

Os gregos pensavam PHYSIS,que é o que por si mesmo aparece. É a emergência das coisas a partir de si mesmas. Como se fosse um gatilho biológico. A palavra grega Physis pode ser traduzida por natureza, mas seu significado é mais amplo. Refere-se também à realidade, não aquela pronta e acabada, mas a que se encontra em movimento e transformação, a que nasce e se desenvolve, o fundo eterno, perene, imortal e imperecível de onde tudo brota e para onde tudo retorna.

O Ser-aí tem consciência? Nós somos mais ou menos consciência, a consciência aparece no aí. A consciência é o sujeito / ser linguístico / ser social / não nos caracterizam originariamente (conceitos do final sec XIX, início sec XX). No aí entram os conceitos. O cientista social já pensa o ser humano como ser social,ser histórico… não pensa a história…

Acho que ele escreve uma crítica ao humanismo e lá ele diz que só é possível mudar as coisas pelo pensamento. Em 1976 numa entrevista filmada, Heidegger fala em criar vida artificialmente, em encontrar o DNA da genialidade, fala da radicalização da inautenticidade, diz que é um grande problema… O Ser-aí existe porque aconteceu alguma coisa anterior a ele. Tenho dúvidas sobre estas informações.

Então, em seu livro “A origem da obra de arte” Heidegger diz que ARTE é a fabricação de bens naturais. Diz também que Arte é igual a conhecimento, ou seja uma coisa que produz efeitos.

1º parágrafo: A Origem de algo é a proveniência de sua essência (o que algo é). Origem é uma coisa que faz com que a coisa seja o que ela é.

O artista é a origem da obra de arte ou a obra de arte é a origem do artista? Ele vai pensar numa terceira questão, aquilo que a partir de algo é o que ele é, ou seja a essência ( que não tem nada a ver com a essência atemporal eterna contrário de aparência ). Heidegger pensa a essência como essencialização como presentificação.

Aquilo que somos hoje, no séc.XXI, é como se estivéssemos presentificando o modo de ser contemporâneo. Nós estamos ao longo das nossas vidas vindo a ser o que nós somos. É um constante vir à presença. A proveniência da sua essência.

E o artista? Mas o que faz o artista ser o que é? A obra. O artista é a origem da obra e a obra é a origem do artista,uma mútua referência. Um não é sem o outro graças a um terceiro elemento que é a arte.

2º parágrafo ele propõe: “olhemos para obra de arte (ente), uma coisa que tem como especificidade ARTE. A obra de arte mesmo atendendo à alguma utilidade atende com este selo de arte e não meramente uma ferramenta utilitária.

(Obs: Dorsa = maneira habitual de pensar = opinião, sua filosofia vai no sentido oposto da Dorsa) ( dúvida ).

Então artista e a obra de arte tem o pressuposto da ARTE; tem alguma coisa da ordem ontológica aí. A arte é “essência”? Onde e como se dá a arte?- ele pergunta. Qual a essência da da arte?

Ele comenta que parece que estamos nos movendo em círculos com esta proposição do “pensar”,mas diz que “precisamos percorrer efetiva e plenamente o círculo. A posição vigorosa é trilhar este caminho e permanecer nele a festa do pensar,posto que pensar é um ofício.”.

O que é uma coisa? Uma coisa obra de arte? Uma coisa com especificidade arte?

O pensamento de Heidegger condena a “A História da Arte”. Segundo ele a estética rebaixa a obra de arte a um objeto de estudo filosófico. A história do pensamento ocidental violentou as coisas. Na estética a obra de arte é rebaixada à condição de objeto de conhecimento estético. Heiddeger está querendo um pensamento fora do conhecimento. Pelo conhecimento você não chega à verdade das coisas. As coisas têm seu modo de ser.

No parágrafo 9 ele diz que a obra de arte além do caráter coisa produzida é ainda um outro algo que nela constitui o artístico. Do grego allo agoreuei ( allo=outro, agoreuei=diz), a obra manifesta um outro,ela é alegoria. Portanto junto com a coisa produzida é com-posto ainda outro algo na obra de arte e pôr junto em grego symballein (sym=com,ballein=pôr,jogar). A obra é símbolo. Alegoria e símbolo é o caráter “coisa” da obra de arte. Uma edificação do outro com o próprio da obra. “(..)uma coisa à qual ainda outra está presa(…)” ( paragr.10).

Então temos que experienciar “a coisidade da coisa”, conhecer o ser-coisa da coisa. “Coisas-em-si e coisas que aparecem, todo ente que é, chama-se na linguagem filosófica uma coisa”. E além disto as coisas derradeiras ( morte e juízo final ) também são coisas que não são nada. A obra de arte também é uma coisa. As coisas da natureza e as de uso são as que habitualmente chamamos de coisas. ( paragrs 12,13 e 14 ).

Uma primeira definição de coisa pode ser “suporte de propriedade” ( o granito,por exemplo) / uma relação de sujeito e predicado. É aquilo em torno das quais as propriedades se reuniram. Ou seja, o cerne das coisas, que para os gregos era to hypokeimenon , o já sempre existente. Já as características se denominam ta symbebekota, aquilo que sempre já foi posto com cada existente e que por isto com ele aparece. E aí começa a misinterpretation (inglês) ou a interpretação normativa da coisidade da coisa, a interpretação ocidental do ser do ente já se dá com a recepção das palavras gregas no pensamento romano-latino. Hypokeimenon torna-se subjectum, particípio do verbo latino subiicere: atirar,pôr ao pé de,deitar debaixo de…o que está posto sob, o fundamento e modernamente, sujeito. Hypostasis torna-se substantia, do verbo sub-stare: estar sob, ou seja a substância, os meios de subsistância, a essência. Symbebekós torna-se accidens, particípio do verbo accidere: cair para ou em direção a; daí, a qualidade acidental, o acidente, o adjetivo, oposto à substância, o não essencial, o acessório, o aparente. Aí expõe-se um transpor da experiência grega para um outro modo de pensar. Com este traduzir, sem a experiênciação originária, começa a carencia de chão firme do pensamento ocidental. Mas a enunciação simples se compõe de sujeito ( hypokeimenon) e predicado,onde se enunciam as características da coisa.A coisa como portadora de suas características.(parágrs 15 a 20). Mas sente que esta definição violenta as coisas,pois racionaliza até o irracional. (não sei se é bem isto ).

A coisa é também aistheton, o sensível, o perceptível nos sentidos da sensibilidade através das sensações, ou seja, pode ser também a unidade de múltiplas sensações ( o barulho do trovão,por exemplo ). No entanto as próprias coisas estão muito mais próximas de nós do que as sensações. A coisa nunca chega,enquanto lhe atribuímos o apreendido pelas sensacões como sendo seu caráter de coisa.

A primeira interpretação da coisa como que a mantém e a coloca demasiadamente afastada do corpo, a segunda a projeta demais sobre o corpo.Segundo Heidegger,nas duas interpretações a coisa desaparece. (parágrafo 26).

Então ele pensa uma terceira definicão: a coisa é uma matéria com forma.

Este conceito de coisa nos aproxima do caráter de coisa na obra de arte,que é a matéria da qual ela é constituída. Todas as coisas obras de arte são matéria-forma. Qual a origem deste par conceitual? Este esquema é usado em todas as teorias de arte e estética que ultrapassa este âmbito. Forma e conteúdo são os conceitos de tudo, ele diz, “nos quais tudo e cada coisa cabe”. Quando se liga a forma ao racional ( lógico) e a matéria ao irracional ( ilógico), e quando se junta ao par forma-matéria ainda a relação sujeito-objeto, então o representar dispõe de uma mecânica conceitual à qual nada se pode opor.(parágr. 29)

Forma é igual a distribuição da matéria no espaço. A forma pode também prescrever o tipo e escolha da matéria ( impermeável para a jarra, sólida e ao mesmo tempo flexivel para os sapatos, por exemplo ). Os conceitos de matéria e forma tem uma origem, que é o comportamento do ser-aí / produtor fabricador utilitário. A combinação de matéria e forma depende da utilidade. No pensamento que baseia-se no comportamento utilitário, a matéria é matéria prima para produção de objetos. (paragr.32). A partir da utilidade a coisa nos olha. A partir da experiência utlitária tudo passa a ser pensado com matéria e forma, mas isto é generalização, universalização. Maneira utilitária de ver e pensar a violência às coisas.

Obra de arte tem presença auto-suficiente, não precisa do caráter utilitário, assemelha-se à pedra. É fruto de um trabalho humano, mas é mais próximo à mera coisa. (paragr.33). Do grego poiesis (criação). Pro-duto ( know how + trazer à existência ). Pro = trazer aqui / pôr aqui (alemão). (?).

Na Idade Média, a filosofia vive em função da Igreja Cristã, as coisas foram criadas por Deus. A lógica conceitual desta filosofia é que Deus é o grande criador. Daí vêm a produção de matéria que é matéria prima para as coisas utilitárias. Já pela interpretação da Bíblia pela filosofia tomista, o ens creatum (sendo criado ) é pensado a partir da unidade matéria e forma, cuja verdade repousa num desvelamento do ente, que é diferente do acreditado pela crença bíblica judaico-cristã.

Somos potencialidades de ser algo, onde também está incluído o comportamento utilitário. Para Sartre a existência é um modo de ser que tende em direção ao saco à esquerda. (não entendi esta frase de Sartre, nem a relação dela com a filosofia de Heidegger ). O homem usa e produz ferramenta. Nós somos uma temporalidade com uma O presente é uma transição do futuro a partir do passado.

Então as coisas são: meras coisas, obras de arte ou apetrechos. E as determinações de coisidade da coisa, como portadora de características, como a unidade de uma multiplicidade de sensações ou como matéria formada valem igualmente para coisa, obra ou utensílio. Este modo de pensar antecipa a experiência, projetando conceito sobre a coisa e impedindo a reflezão sobre o ser de cada ente singular. Precisamos manter distância destas antecipações e precisamos (1º passo) deixar a coisa repousar em ser ser-coisa.

Não é indiferença ao pensar. É um fracasso do pensamento. A estrutura última da própria coisa resiste ao pensamento. O ser se dá se retraindo, tornando-se opaco ao pensamento. O ser é uma doação. É um esquecimento necessariamente a tudo que se pensa. A arte é da ordem do acontecimento. Para Kant é a coisa em si,uma confecção do fenômeno do jogo entre sensibilidade e razão.

Então na filosofia existencialista, a definicão de coisa é generalista.

1- forma de definição em termos de substância de propriedade

2- forma sensível de definição/unidade de meultiplas sensações

Obs: também é violência à coisa, se vc aposta nas sensações, você está violentando a coisa. O que chega à você são as coisas e não a sensação delas.

3- Matéria + Forma (dois conceitos enraizados no comportamento utilitário produtor). Também há violência.

O pensamento não deixa que a coisa seja. Impõe à coisa o caráter utilitário.

O homem cria. Há um trabalho sobre a coisa ou coisas que tem uma forma irregular. A lógica utilitarista pretende definir a coisa mas está impondo uma visão. A estética trata a coisa como matéria e forma.

4 - muda de atitude/postura. A coisa em si guarda em si a propriedade. Deixar a coisa repousar em si. Criar 1 Pensamento que respeite a coisa. É da própria estrutura da coisa não se deixar definir. A impossibilidade de pensar devidamente a coisa vem da própria coisa. A estrutura do real se dá a pensar recuando. A coisa se presta ao pensamento de uma maneira velada. A coisa é opaca ao pensamento.

A coisa mais próxima à modalidade é utensílio e intrinsecamente ligada ao nosso pensamento utilitário. (parágr.41).

Heidegger pega como exemplo um par de sapatos de camponês e escolhe uma apresentação pictórica deste “utensílio”, numa pintura do Van Gogh.Explica que tal utensílio “sapato” serve para calçar os pés, mas que de acordo com sua utilidade, se são para trabalho no campo ou para dançar, a matéria e a forma são diferentes. “O ser-utensílio do utensílio consiste em sua utilidade”- definição correta mas superficial.

A partir do parágrafo 46 ele começa a propor uma uutra maneira de pensar que não seja representacional, ou seja através de fundamento/ princípio e lógica.

(parágr.47) A utilidade repousa na plenitude de um ser essencial do utensílio, isto é nomeado confiabilidade (provem de algo mais essencial ) (embate entre mundo e terra).

MUNDO ( termo conhecido de Heidegger ) é a totalidade referencial; o sentido, a significância, a familiaridade que tem sentido por estar inserido num mundo. Um ente que se refere a outro ente que se refere a outro ente…Por exemplo: a caneta se refere ao papel que se refere ao livro… O mundo-ambiência na qual nos encontramos, uma estrutura ontológica ( do ser ). Nós somos o ser no mundo. Das Ein/ Ser-aí é ser no mundo. Tem sentido por estar inserido no mundo. A ambiência que tem esta referencialidade à luz da qual agimos.

Se recuássemos ao início da história da Humanidade. Desde o 1º momento o ser já é um ser no mundo. Toda geografia,toda naturalidade está em um mundo.

TERRA é a não siginificação, o estranho, aquilo que resiste ao sentido, materialidade sem sentido que acolhe o sentido, que não se permite traduzir por conceitos, não se presta à significância, mas é o âmbito da significância.

MUNDO só pode ter sentido se for acolhido por algo que não se presta a isto, a TERRA. Confiabilidade é união que se encontra no utensílio entre Mundo e Terra ( um não existe sem o outro ). A utilidade do utensílio só é possível porque antes existe o vínculo mundo ( significância ) e terra ( materialidade – não é só pura no sentido físico, é outro sentido – acolhida ). A Terra não existe sem o sentido.

O lugar habitual do nosso pensamento é o lugar da representação. O pensamento originário não é representacional, tem grande afinidade com a poesia, está entre a poesia e a filosofia (representacional).

Na Arte acontece o aparecimento, do grego Alethéia – desvelamento/aparecer o ser da coisa, aparecer do ente em seu modo de ser … Acontecimento de algo q se desvela / alguma coisa acontece ali. O ser do ente vem à luz. A essência da arte então seria esta, ele diz, “ o pôr-se em obra da verdade do ente”. Esta verdade que se põe em obra na arte aqui não é a representacional, é a reprodução da essência das coisas. Vem à luz o que na obra está em obra, a abertura do ente em seu modo de ser: o acontecimento da verdade. “O caráter de coisa na obra não deve ser negado nem deixado de lado,mas ele tem que ser pensado a partir do caráter de obra,caso ele já pertença ao ser-obra da obra”. ( não sei se entendi ). (Parágr.53 a 65).

A obra e a verdade / Tempo X Obra de Arte / Obra não representacional

As obras chegam a nós como mercadoria e não mais como obra de arte. Obra de arte retirada do seu MUNDO não é mais obra de arte.

Só quando houver acontecimento existe a obra de arte. Ele exemplifica pela Obra-Templo na Grécida. Os gregos viviam em volta. No parágrafo 74 ele escreve: “ (…) O templo-obra junta primeiramente e ao mesmo tempo recolhe, em torno de si, a unidade daquelas veredas e referências nas quais nascimento e morte, maldição e benção, vitória e ignomínia, perseverança e queda, ganham para o ser humano a configuração do seu destino. A amplitude reinante destas referências abertas é o mundo deste povo histórico(…)”.

A obra de arte é para ser vivenciada e não para ser contemplada. Isto é coisa para astetas, turistas…Tudo tem radical temporalidade para Heidegger. A obra de arte ou participa da vida que ela mesma inaugura ou ela não é mais obra de arte.

Nós somos parte de um aberto que é o mundo. E o mundo mundifica, ele diz. E a obra mantém aberto o aberto do mundo, deixa que as coisas sejam o que elas são.

O tempo organiza a ambiência deste mundo, ou seja o caráter terra também é afetado pelo tempo. No parágrafo 75 ele escreve: “(…) O brilho e a luminosidade do rochedo,os mesmos só aparecendo graças ao Sol, é que fazem aparecer a luz do dia, a extensão do Céu e as trevas da Noite. O erguer-se seguro torna visível o invisível espaço do ar. O inabalável da obra contrasta com a vaga da mare e deixa, a partir de seu repouso, aparecer a fúria do mar. A árvore e a grama, a águia e o touro, a serpente e o grilo aparecem no realce de sua figura e se apresentam assim no que eles são. Este surgir e desabrochar em-si e no todo, os gregos denominaram, há muito tempo, a physis. Ela clareia ao mesmo tempo aquilo sobre o que e em que o homem funda o seu morar. Isso nós denominamos a Terra. Do que a palavra Terra aqui significa deve-se afastar tanto a representação de uma massa de matéria aglomerada como também, segundo a astronomia, a idéia de planeta. A Terra é aquilo em que se reabriga o desabrochar de tudo que, na verdade, como tal, desabrocha. Nisso que desabrocha, a terra vige como a que abriga.” A obra-templo, a imagem do deus que o vencedor consagra na batalha e a obra-da-linguagem não retratam, são / não retrata, é.

A obra é um instalar de um mundo ou ela faz parte da vida ou ela não é mais obra de arte…

Tudo é temporal, tudo é finito. Quando esta relação Mundo/Terra não existir. O templo grego, por exemplo, deixa de ser obra de arte. Obra de Arte = projeção de uma terra e a instalação de um mundo.

Não posso apontar exatamente quando este embate se dá. O devir histórico vai se fazendo. Como a estrutura do trauma; “só depois”, Freud fala que a dimensão do trauma se faz presente muito tempo depois. A descoberta é a ampla divulgação.

“ Verdade e Método” ( capítulo dedicado à artes performáticas ) - Gadamer ( fiquei com vontade de pesquisar mais sobre isto )

A terra vem à tona como aquilo que se fecha, é opaca ao conceito, resistente ao conhecimento.

O mundo se afirma como mundo e a terra como terra. 2 personagens Heideggerianos. Embate entre mundo e terra = confiabilidade. Disputa entre mundo e terra – esta tensão repousa na obra. Terra e Mundo tem que existir para que a confiabilidade aconteça.

RepresentaçãoX Não Representação

Shapiro X Heidegger

Derridas

Nazismo…

E continua

O Asteta – Meyer Shapiro, historiador da arte, escreve um artigo “still life as a personal object”, defende a representação e estuda a obra de Van Gogh.

Escreve uma carta onde ele pergunta para Heidegger a qual quadro ele está se referindo e diz que os sapatos que Heidegger usa como exemplo eram do próprio Van Gogh, que na verdade é um par de sapatos urbano e não de uma camponesa. Ele diz que este quadro está em Amsterdam. Critica o texto como sendo pretensamente filosófico “gorduroso”. Diz que Heidegger erra, fala que é patologia nazista disfarçada de filosofia.

De fato na ideologia nazista da época existia um enaltecimento da vida rural, um resgate às origens da vida “saudável” alemã, Shapiro foi professor de Columbia, foi aluno de um judeu refugiado em NY. De fato Heidegger foi do PNS, Partido Nacional Socialista… Quando os nazistas tomaram o poder, ele aceitou ser reitor de uma universidade. Seis meses depois ele abandonou o reitorado. Segundo ele, percebeu o que era. Entrevista na revista Dr Spiegel que só poderia ser publicada depois que ele morresse, ele diz que entendia o nazismo como espécie de terceira via onde a Europa poderia se renascer ( entre a Rússia e o capitalismo norte americano ).

Jacques Derridas foi influenciado por Heidegger e também crítico filosófico de Heidegger. Ele escreveu um texto sobre esta polêmica. Diz que Shapiro mostra a falta de rigor de Heidegger e também a verdade sobre o quadro do Van Gogh, par de sapatos era dele mesmo, que naquele tempo era um homem da cidade, dentre outros argumentos.

O sapato envelhecido parecia com o estado de alma dele. Expressão de um estado interior do Van Gogh.

Argumento do Heidegger permanence válido para qualquer obra de arte. Modo de ser do instrumento enquanto utensílio com uma confiabilidade. Ele já tem esta argumentação filosófica e só usa o quadro do Van Gogh para embasar a sua teoria.

Argumento dogmático, previamente resolvido. ( patologia nacional socialista ). Problema do Heidegger: não precisa do quadro do Van Gogh.

Derridas – embora o Shapiro aponte para este problema, dizia que ao mesmo tempo o historiador é capaz de ser superficial.

Heidegger está fazendo uma crítica da representação. O objeto representado está interessado na verdade, como retrato da realidade e acaba por esquecer o ser.

Sec XVII Descartes – grande época da representação – sujeito da representação, objeto representado.

Aí= mundo. Relação sujeito-objeto. Modo de ser no mundo. Terra que acolhe o mundo . Terra não é passível de representação. Relação terra – mundo ( confiabilidade – que é irrepresentável). A partir do irrepresentável é possível representar a verdade originária. A experiência artística nos leva à outro plano. Ele diz que o Shapiro está reduzindo a coisa, a representação reduz. A força do quadro é uma experiência nova.

Shapiro é um defensor da representação. Heidegger questiona se é isto que dá valor a um quadro. Ele está dizendo que na experiência artística é possível uma experiência não representacional. Ele diz que o Shapiro não está falando do quadro, mas da vida real por trás do quadro.

Como olhar para arte e pensar a arte sem reduzir a obra de arte à algo que está fora dela?

Heidegger X Kant

Subjetividade / gênio / relação com algo.

Nietzche é o primeiro grande crítico da representação / construção de verdade / fundamento.

Heidegger busca outra verdade / âmbito.

Romper a representação X Não é possível romper com a representação.

Idealização do mundo camponês – de certa forma o Heidegger está representando. Derridas diz que quando você fala, você cria termos e estes termos tem uma representabilidade. O quadro do Van Gogh é a representação do irrepresentável. Desconfie da representabilidade.

O quadro é digno de ser pensado – abertura de um âmbito no qual nós existimos.

Tanto Heidegger quanto Shapiro são metafísicos, supõem que há uma verdade.

Desgarramento do quadro. Objetividade do quadro. Obra de arte digna.

Pensamento não representacional é um pensamento que liberta.

Heidegger é um crítico da metafísica, leva adiante a questão do “ser”. Crítica à representação, ao representar, você busca uma certeza. Heidegger pensa o “ acontecimento”. Respeitabilidade em relação à singularidade da coisa. O que ele tá tentando fazer em relação à crítica à filosofia.

Todo ente tem seu modo de ser (Parágrafo 95)

Essência ( o que define uma coisa ) = o que há de comum entre as cadeiras, por exemplo, o que faz daquilo ser uma cadeira.

Essência não essencial= tem a ver com singularidade/ é genérico. Objetivação =conceito que você se apropria. Heidegger tá tentando evitar isto. Não respeita o modo daquela coisa ser. Generalidade do conceito não permite que você veja a particularidade da coisa. Não há ciência sem este paradigma da verdade, mas é exatamente disto que o Heidegger quer fugir.

Essentia - ser-simplesmente-dado no MUNDO. Desconstrói esta pretensa universalidade dos conceitos. Heidegger tá querendo isto. Ser-simplesmente-dado em relação a outros seres simplesmente dados que formam um mundo. O que é na verdade a verdade? O que é a essência da verdade?

Qual a essência disto aqui para que seja, por exemplo “ouro verdadeiro”. Aletheia ( tradução Latina do termo grego “verdade” ) desvelamento do ente. A aparição das coisas tem que se dar primeiro, só num segundo momento é que pensaremos se é verdadeiro ou falso. Apareceu como … ouro, depois pensamos se é verdadeiro ou falso.

As coisas já estavam lá, com a obra de arte elas aparecem. Thauma é o maravilhamento diante das coisas. As coisas vêm à tona. Physis se mostra. As coisas aparecem em seu modo de ser. Quando a aletheia aparece como veritas, novo paradigma aparece. A sua essência está neste vir-a-ser / desvelar-se.

Arte leva à verdade. Arte é acontecimento. Desvelamento ( grego; aletheia ) = vir à luz, vir a tona. Qual é essência de verdade? Não basta trocarmos o nome. Que tipo de experiência de pensamento é esta? Adequacão do latino veritas, do que o sujeito diz em relação ao objeto do juízo ao objeto… A Adequação não dá conta. Há uma verdade primeira,anterior= o desvelamento do ente / tudo o que “é” / o que quer que seja.

(Parágr. 98). É préciso reviver a Grécia? Heidegger diz que não. Mesmo que fosse possível não nos ajudaria. O pensamento grego não conseguiu pensar o “ser”. A metafísica ao se propor a pensar o “ser” pensa “ ser” como alguma coisa. Por exemplo “as idéias” em Platão. História do pensamento ocidental / racionalidade marcada pelo esquecimento do ser. Não temos mais capacidade intelectual de pensar o ser das coisas (ele diz) – como já foi citado no começo deste resumo.

“Ser” para Heidegger é este des=velamento. Para que o juízo verdadeiro aconteça, coisa tem que “ aparecer”. Ex.cadeira./ ouro falso ou verdadeiro – antes há o ‘aparecer”, depois o juízo..Verdadeiro / Para Aristóteles “ em 1º lugar verdadeiras são as coisas mesmas. Em 2º lugar são os juízos sobre elas.

Quando os gregos começaram a pensar o des-velamento, eles passaram a olhar somente para o desvelado e esqueceram do “ acontecimento desvelamento”.

Depois de Descartes sec XVII- para cá. Qual a razão da razão?

“Das-ein” tem que estar presente. De onde vem este modo de ser do “ser-aí”?

Este “aí” é a clareira. A clareira é o aberto onde as coisas aparecem. Âmbito do aparecimento é o “aí” todo espaço toda temporalidade se confunde com o “ser”. É preciso que as coisas apareçam no âmbito do aparecimento.As coisas/ o mundo / aparecem. O ser-aí aparece.

Acontecimento-Apropriação (não entendi este termo, é em relação à apropriação do termo grego?)

“No meio do “ente” existe uma clareira que é mais “ser” que o próprio “ente”. A clareira é a condição de possibilidade do “ ente”. A “clareira “nada é. É nada porque não é ente algum. Certa semelhança com o “nada” do budismo. Este “nada” do ser, graças a ele as coisas aparecem pelo que elas “são”. Positividade no aparecer das coisas. As coisas aparecem em meio ao nada, à luz da clareira.

Os pré-sócraticos tem concepção pré-metafísica. Heráclito, Parmênides. Possibilidade de aparecer, de articular/ “articulabilidade das coisas”/ âmbito mundo.

Ser e tempo. O ser-aí originário. Para ele as coisas se dão. Se deslocar desta “ontologia” do ser para entender. Nós somos estruturais à própria clareira. Se a clareira nada é, temos que assumir o nada que nós somos. Nós somos este tempo. É do ente se confundir com outros entes. Ente se revela mas resistindo a um desvelamento total. Tudo se dá dentro de uma temporalidade da clareira.

Mundo e Terra

Tudo o que é presente se dá.

Velamento e Desvelamento

Ser-aí e Mundo

Velamento - o aparecer é temporal, é finito, é numa clareira. Desvelamento se dá na clareira. Clareira traz um velamento radical. Algo que acolhe o mundo.

(Parágrafo 106) Velamento

1- recusa – limite do conhecimento ou começo da clareira do clareado/ente

2- Dissimulação – aparência “ a physis gostar de mostrar-se ocultando-se”, “a essência é em sua verdade a não-verdade”

O mundo também não é pura luz, a terra também não é pura sombra.

“ O aparecer brilhante disposto na obra é o belo”

“ A beleza é um modo como a verdade vigora enquanto desvelamento”.

A obra-de-arte seria o acontecer desta disputa entre mundo e terra, o acontecer desta clareira.

O belo é esta capacidade de nos arrebatar para ambiência.

Processo de criação

De que maneira a criação antecede o sujeito ou não está limitado à subjetividade do criador?

“Qual é a essência mais íntima da própria obra, a partir da qual somente se deixa medir até que ponto o ser-criado lhe pertence e até que medida este determina o ser-obra da obra?” (parágr.115)

E no paragr 116 “Criar é aqui pensado sempre em relação à obra. O acontecer da verdade pertence à essência da obra”.

Tanto o artesão quanto o artista produzem artefactos. Não é à toa que os gregos usavam a mesma palavra thecné/ thecnités ( dotado de thecné ). Existe algo da ordem da fabricação na arte.

(Parágr. 120) “A origem da obra de arte e do artista é a arte.” É o vir à luz das coisas. É o trazer à presença.

Origem é a proveniência ( algo que está vindo de algum lugar ) da essência ( estrutura perene imutável eterna ). Em Heidegger a essência é sentido, presencialização, tornar a ser aquilo que se é. Em que vigora o ser de um ente. OBS: Vigora / vigência / a palavra está se essencializando, está sendo reaplicada.

Acontecer na verdade ( clareira, onde as coisas vêm à luz ) / o acontecimento está na poiésis.

Thecné / Know-how - desvela o produto da fabricação – deixa vir a luz os utensílios. Thecné - disposição racional que orienta o comportamento poiético.

(paragr.126) Thecné traz o ente para o desvelamento. Não é atividade de um fazer é um saber pensado gregamente, saber deixar ser aquilo que começará a ser. Pro-dução (para os gregos) – traz à luz, traz à existência. O artesão presentifica o utensílio.

A raiz do conceito de matéria e forma vem de um pensamento produtor. Com o cristianismo, a metafísica vai só tomar um novo alento. A bagagem conceitual já está dada na atividade grega. Physis é a emergencia das coisas. O termo techné não diz que o fazer ( paragr. 127 ) do artista é vivenciado do fazer manual, é determinado pela essência do criar, o auto-nascer da physis.

Perceber X representar

Perceber é uma forma de conhecimento, aquele que vê / que sabe receber, que deixa que a coisa venha a ele, algo que já foi desvelado. Já representar (sec XVIII filosofia ) objetivação/ forçar / tornar as coisas à posição de objeto. Apropriação, captura, conhece, delimita, toma para si. O próprio sujeito faz isto. Aquele ser –aí que é capaz de ver, de perceber / ele devia ser aquilo que já é. Devia se mostrar.

“ O homem é a medida de todas as coisas” frase de Protágoras.

“Poeticamente o homem habita”

Texto “A caminho da linguagem” Heidegger, Ed. Vozes

A essência da linguagem de uma conversa sobre a linguagem entre um japonês e um pensador.