Saturday, June 16, 2018

separação


BEL - Projeto que não deu certo. 
Ainda existe um lugar onde se queira dormir, abraçar 
alguém? 
Afeta nossa capacidade de amar.
e dizemos amém.
Afeta nossa necessidade de amar.
e não dizemos mais
amém.
BERNARDO - Os travesseiros trincheiras 
nos defendem do descanso
Quem quer algo além? 
A poeira fede lá fora 
e a gente aqui com medo? 
Não cabe.
BEL - Cabe. 
Almas dominadas pela higienização das relações! 
Te falta tempo? Pra mim sobra! 
Sobra tempo 
Time is no money e ainda quero mais! 
Não estou desempregada , escolho afeto, desarraigada.
BERNARDO - Na casa da minha mãe tenho afeto.
BEL - Que sorte, achei que era só teto.
BERNARDO - Se cuida!
BEL - Odeio isto, me atinge, me rói, me deixa muda.
BERNARDO - É sincero.
BEL - Mas não o que espero.
BERNARDO - Não sou eu quem vai salvar sua primeira infância perdida.
BEL - Desespero-me com sua ida. Cessar sonhar.
BERNARDO - Desta preocupação consegui me livrar. Seu peso. Quanto penar.
BEL -  Egoísta. 
BERNARDO - Privilégio ser. 
Não procuro nos outros solução 
tenho poder.
Você manipula
mas não a mim.
BEL - Passar bem. Seu nome é repressão.
Vai lá, circula, faz pirlimpimpim.
BERNARDO - Seu nome é agressão.
Fora de mim!
BEL - Você me nega a mão, 
e sou eu a agressão? 
Você se fecha
e sou eu sua apreensão?
Os olhos sensíveis
enxergam mera ambição.
Pode sair daqui enfim 
desta peça 
da minha vida.
de mim.
BERNARDO - Volto.
BEL -  Alguns se transformam, outros passam atávicos. 
Agradeço por me acordar do sonho alienado. 
Considerava possível filhos de amor, 
mas isto pra você é dor.
BERNARDO - puro torpor
BEL - Não morrerei às traças. 
Não serei comida pelos corvos 
num mini apartamento em Paris. 
O despertador não vai tocar às 4 da manhã por 1 semana 
A vizinha cansada não irá desconfiar do meu sono infinito 
vindo do respiradouro do prédio em Copacabana.
BERNARDO - Não morro nunca. Sou ficção.
BEL - Desta água não mais beberei, irmão.

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